Em 2018, eu (Bruno), junto com minha irmã Paula, meu pai Marcos e minha mãe Marta, começamos a amadurecer uma ideia: transformar o nosso amor por viajar em algo maior. Queríamos viver isso de forma intensa e, quem sabe, transformar essa paixão em um negócio através da criação de conteúdo.

Com a aposentadoria dos meus pais se aproximando, e aproveitando que eu e minha irmã ainda não tínhamos nada que nos prendesse a um lugar, decidimos apostar de verdade nesse sonho. 

Foram quase quatro anos juntando dinheiro, estudando e nos preparando para dar vida ao Rolê Família.

O plano era ousado: dar a volta ao mundo em família e registrar tudo isso no Youtube e no Instagram. Mas antes de ir para fora, queríamos conhecer profundamente o nosso próprio país e começamos explorando todos os 26 estados do Brasil, indo além dos destinos óbvios e buscando lugares menos conhecidos, histórias escondidas e experiências autênticas.

Hoje, depois de cerca de quatro anos de vida nômade, posso dizer com certeza: esse projeto se tornou muito mais do que um negócio (que, felizmente, deu muito certo): Ele virou uma verdadeira aula de vida.

Quando penso nisso, a primeira coisa que me vem à cabeça é o valor das memórias que estamos construindo. Daqui 10, 15 ou 20 anos, vou olhar para trás e lembrar de momentos que muita gente não teve a chance de viver.

Subi o Monte Roraima ao lado do meu pai. Vi minha mãe superar o medo de altura e fazer rapel. Vivi experiências únicas com a minha irmã, como a travessia do Vale do Catimbau e isso é só uma pequena parte de tudo que já vivemos juntos nessa jornada.

Viajar de carro sempre foi a nossa forma favorita de explorar o Brasil. Ele nos dá liberdade de parar onde quisermos, de sair da rota, de descobrir lugares que não estão em nenhum roteiro tradicional.

Uma curiosidade: o ponto mais distante que já chegamos com o carro, saindo de Florianópolis (SC), foi Alcântara, no Maranhão.

Como trabalhamos com documentários, não somos apenas visitantes de passagem. Buscamos uma verdadeira imersão em cada lugar. Isso nos permite criar conexões profundas com as pessoas, fazer amizades pelo caminho e entender cada destino de forma mais completa, sua história, sua cultura e seus cantinhos menos explorados.

Claro, viver juntos depois de adultos não é sempre simples. Cada um tem sua personalidade, seus gostos e sua forma de enxergar a vida. Mas, no fim, tudo faz sentido quando paramos para relembrar os momentos vividos, as conquistas e os aprendizados que tivemos juntos.

Ao longo da estrada, aprendemos que somos muito mais adaptáveis do que imaginávamos. Conseguimos aproveitar desde uma gravação em uma hospedagem de luxo até um acampamento simples ao ar livre, cercados pelos paredões da Chapada Diamantina.

Desenvolvemos também a habilidade de lidar com o inesperado. Hoje, quando algo foge do planejamento, não entramos em desespero, nos adaptamos rápido e focamos em resolver o que precisa ser resolvido sem surtar.

Outro ponto que mudou muito para todos nós foi a relação com a saúde física e mental. Mesmo sem uma rotina tradicional, criamos uma espécie de “rotina dentro da não-rotina”. Nunca treinamos tanto quanto nesses anos na estrada. E entendemos, na prática, que cuidar do corpo, com atividade física, alimentação e sono, impacta diretamente tudo: nosso trabalho, nosso bem-estar e nossos relacionamentos.

Quando volto lá para 2022, para aquele momento em que tudo ainda era um sonho, o sentimento é um só: gratidão.

Gratidão por termos tido coragem de arriscar. Pelas pessoas incríveis que conhecemos pelo caminho. Pela evolução pessoal que vivemos. E por todos que, de alguma forma, acreditaram na gente e apoiaram esse projeto.

A Kouda, que nos convidou para escrever esse relato, já está apoiando nosso projeto há mais de um ano e meio e posso dizer com tranquilidade: foi um encontro perfeito.

Usamos produtos deles praticamente todos os dias (somos fãs das garrafinhas térmicas 😄), e muitos dos nossos rolês só foram possíveis graças aos equipamentos deles como as mochilas estanques, que já salvaram várias gravações quando teve trilha aquática.

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