Este ano tivemos a oportunidade de conhecer pela primeira vez o Parque Nacional do Itatiaia (ou simplesmente PNI, para os íntimos).

Criado em 14 de junho de 1937, o Itatiaia foi o primeiro Parque Nacional do Brasil.

Localizado na Serra da Mantiqueira, entre os estados do Rio de Janeiro e Minas Gerais, o parque é um daqueles lugares que parecem ter sido esculpidos para quem gosta de montanhas, aventura e paisagens fora do comum.

Nós visitamos a Parte Alta do Parque Nacional, fazendo acesso pela cidade de Itamonte, em Minas Gerais, que, inclusive, é uma verdadeira joia escondida, mas isso é assunto para outro post.

O planalto do Itatiaia reúne algumas das paisagens mais diferentes que já encontramos no Brasil. Além de abrigar o Pico das Agulhas Negras, com 2.791,55 metros de altitude e considerado o quinto ponto mais alto do país, a região também possui uma enorme quantidade de formações rochosas impressionantes.

Entre os principais atrativos estão a Chapada da Lua, as Prateleiras, a Asa de Hermes e a Pedra do Altar. E isso é apenas uma parte do que pode ser encontrado por lá.

A melhor época para visitar a Parte Alta do parque costuma ser entre maio e setembro, durante a estação mais seca. Além de proporcionar temperaturas mais baixas e, muitas vezes, dias com céu aberto, esse período tende a oferecer condições mais seguras para as trilhas, já que as tempestades de verão podem tornar a região ainda mais perigosa.

Acompanhados pelos produtos da Kouda, fizemos três trilhas diferentes, com níveis de dificuldade e experiências completamente distintas.

1. Agulhas Negras: a trilha mais técnica que já fizemos na vida!

Começamos pelo principal desafio da viagem: o Pico das Agulhas Negras.

E podemos dizer sem exagero: essa foi facilmente uma das trilhas mais técnicas que já fizemos na vida.

Para chegar ao ponto mais alto do Parque Nacional do Itatiaia e ao quinto ponto mais alto do Brasil, é preciso estar disposto a encarar uma verdadeira aventura. Além de um bom preparo físico, a trilha exige experiência em montanha, atenção redobrada e equipamentos adequados.

O caminho possui trechos de escalaminhada, passagens em que é necessário utilizar cordas, muita subida e terrenos bastante acidentados. Considerando o trajeto completo a partir do Abrigo Rebouças, a trilha pode chegar a aproximadamente 5 a 6 quilômetros, dependendo da rota escolhida.

A dificuldade aumenta bastante na parte final, quando a caminhada se transforma praticamente em uma escalada em alguns trechos.

Mas todo o esforço é recompensado quando você chega ao topo.

Lá de cima, a vista é praticamente de 360 graus para o Planalto do Itatiaia. É possível observar várias das principais formações do parque e, com boas condições de visibilidade, ainda avistar a Serra Fina e, talvez, até mesmo a Serra dos Órgãos no horizonte.

2. Chapada da Lua: a nossa trilha favorita

A Chapada da Lua foi, sem dúvida, a nossa trilha favorita.

Nós já havíamos conhecido outros lugares no Brasil com paisagens que lembram a superfície lunar, como o Vale do Catimbau, em Pernambuco, e o Vale da Lua, na Chapada dos Veadeiros.

Mas, sinceramente? Nada nos preparou para o que encontramos na Chapada da Lua do Parque Nacional do Itatiaia.

No alto da montanha, o terreno é formado por rochas e um solo repleto de pequenas depressões e buracos que lembram crateras lunares. A paisagem é tão diferente que, em alguns momentos, parece que você deixou o Brasil e foi parar em outro planeta.

É simplesmente incrível.

A trilha também é considerada difícil, mas, na nossa opinião, não chega ao mesmo nível técnico das Agulhas Negras. O percurso total fica em torno de 5 a 7 quilômetros, saindo do Abrigo Rebouças.

Durante o caminho, ainda temos vistas muito próximas da famosa Asa de Hermes, uma das formações rochosas mais impressionantes de todo o parque.

E talvez justamente por reunir uma paisagem tão diferente, boas vistas e uma aventura na medida certa, essa acabou sendo a nossa trilha preferida da viagem.

3. Pedra do Altar: um ótimo custo-benefício

Sabe aquele rolê que não é tão difícil, mas entrega paisagens incríveis?

Essa é a Pedra do Altar.

A trilha tem aproximadamente 5 a 6 quilômetros no total, saindo do Abrigo Rebouças, e é consideravelmente mais tranquila do que as duas anteriores.

Diferentemente do caminho até as Agulhas Negras, aqui não é necessário utilizar as mãos ou passar por trechos técnicos de escalaminhada. A subida é mais gradual e o percurso pode ser feito caminhando, o que torna a experiência muito mais acessível para quem quer conhecer a Parte Alta do parque sem encarar um desafio extremo.

Mas isso não significa que a paisagem seja menos impressionante.

Durante o trajeto, temos uma vista incrível de frente para as Agulhas Negras. Inclusive, para nós, foi daqui que tivemos um dos melhores ângulos para observar o famoso maciço.

E, quando chegamos ao topo da Pedra do Altar, a recompensa é uma verdadeira coleção de paisagens.

De lá, é possível avistar as lagoas, os Ovos da Galinha, as Prateleiras, as Agulhas Negras e a Asa de Hermes.

Com os nossos lanchinhos nas mochilas da Kouda, aproveitamos para fazer um piquenique lá em cima, cercados por algumas das paisagens mais impressionantes da Serra da Mantiqueira.

E foi assim que conhecemos, pela primeira vez, o Parque Nacional do Itatiaia.

Com montanhas imponentes, formações rochosas surreais e trilhas para diferentes níveis de experiência, a Parte Alta do Itatiaia é um daqueles destinos que mostram como o Brasil ainda tem paisagens capazes de surpreender até quem já viajou bastante pelo país.

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